Este será um ano sobre o qual contaremos aos nossos netos. Que apesar de tantos medos, dores e dúvidas, trouxe-nos ensinamentos fundamentais para a existência. Em primeiro lugar:

A vida é frágil

Um ser invisível a olho nu é capaz de percorrer o mundo todo e nos trancafiar dentro de casa cheios de apreensão e medo de pôr em risco a própria vida. E nos curvamos diante da sua habilidade de contagiar silenciosamente. De tirar o nosso fôlego de viver.

Microscopicamente, ele pára o planeta. Fecha as empresas e nos veste máscaras, deixando nossos olhos a vista de uma verdade inevitável: o dinheiro não é o valor mais caro desta existência. Este ano nos mostra que a vida vale muito mais. É ela a causa e a consequência de qualquer economia.

Em segundo lugar, 2020 nos diz que:

A natureza é importante

A clareza das águas nos deixa claro o quanto prejudicamos o nosso planeta. As praias limpas, o ar despoluído é uma pausa através do qual este ano nos leva a refletir sobre o maior patrimônio da humanidade.

Uma natureza da qual viemos e fomos criados. A mãe que nos sustenta vivos com o ar que respiramos, com a água que bebemos e nos proporciona cotidianamente uma fonte rica de alimentos. Sem natureza não há saúde, portanto, não há vida.

Distanciamento social contínuo

E quando a quarentena acabar restará a nós um aprendizado especial. O distanciamento. A diferença é que, imune ao vírus, 2020 deixa para o ano seguinte, e para sempre, o legado do afastamento de pessoas negativas, desonestas e mentirosas.

Ele nos ilustra na prática como proteger a si mesmo de pessoas que esse ano usam máscaras sobrepostas, uma que protege a saúde, a outra que fere o caráter.

E a gente aprende a estar perto apenas do que nos faz bem. De quem nos emana amor. E aquele ano nos obriga a entender que merecemos estar circundados apenas de vibrações positivas, não tem como não ser memorável.

E mais do que nos afastar de quem não presta, ele nos ensina que:

A família vem em primeiro lugar

2020 definitivamente nos reconectou com a família. Onde não reforçou laços, mostrou que é preciso paciência e compaixão para com aqueles que são o nosso sangue. O ano nos alertou à falta que fazemos aos nossos filhos. Que eles necessitam mais da gente, mais do nosso tempo.

Também nos fez entender o quanto os idosos nos são importantes, que precisamos olhar mais para eles. Tomar conta de verdade, com atenção e carinho. 2020 nos deu compaixão às suas fragilidades, e mostrou que mesmo estando no final da vida, ainda são seres humanos a serem zelados.

Mas talvez o principal desafio deste ano seja:

O isolamento consigo mesmo

Foi o momento em que todo o mundo parou para refletir sobre suas vidas. O ócio veio nos dizer quem somos de verdade. A falta de opção em obter subterfúgios fez com que a gente obrigatoriamente se encarasse de frente, sem possibilidade de engano.

Cara a cara com o que temos de pior e também de melhor, 2020 mostra nossa capacidade de resiliência. A força dentro de nós que nos eleva e ajuda a ultrapassar um momento tão difícil de crise na saúde, no bolso, na vida.

A mente pira, o corpo adoece e a gente se surpreende com a nobreza com que carregamos o fardo que 2020 nos trouxe para aprimorarmos a nossa alma.

Obrigado 2020 por nos mostrar o que realmente precisamos. Por retomar valores esquecidos, por nos ensinar responsabilidades novas.

E, principalmente, por nos apontar um novo conceito de aproveitar a vida e ser feliz.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.