A vida não anda só para a frente, porque ela não é um caminho sem volta.

Enquanto você estiver vivo é possível até fazer zigue-zague, mas não desperdice tempo andando em círculos. Se tiver que voltar atrás, volte sem medo, sem culpa.

Seja humilde para entender que pegou o caminho errado e corajoso o suficiente para fazer o retorno. Porque a primeira dificuldade é aceitar que as coisas não estão do jeito que você queria. Que lá em um passado distante, era devido uma outra escolha, quem sabe, até uma decisão oposta a que você tomou.

Depois é preciso que você olhe para trás e encare o caminho de volta. Dói entender toda a distância percorrida à toa. Acreditando que chegaria em um lugar que não existe depois da curva. Imaginar o trabalho de regressar ao ponto que partiu, pode ser desanimador.

Entretanto, mesmo que o tempo perdido seja enorme, continuar para frente significa perder não só um tempo, mas todo ele.

O orgulho de não voltar atrás nos impede de ir em frente. Porque, sim, seguir com a vida pode ser pegar o caminho de volta. Assim que a gente vira, já libera toda sensação de arrependimento. Então, a gente se encontra. Reencontra, consigo, com tantos outros.

É só dar o braço a torcer e a gente se acalma, deixa ir todo peso da frustração. É melhor retroceder para o que a gente era do que seguir corrompido, sofrido.

A gente é mais feliz retornando para a nossa simples verdade, do que sendo muita coisa de mentira.

Voltar pode acabar com a depressão. E a gente se reinicia para o amor, nem que seja o próprio. E mais fortes, somos capazes de perdoar. De entender uma mágoa menor, permitir que ela não faça mais sentido.

Assim, a gente lança um novo olhar a quem nos feriu. Mais generoso, com a compaixão direcionando a compreensão. E percebe, no caminho de volta, quanta coisa boa deixamos para trás quando pegamos um atalho equivocado.

Mais maduros, somos capazes de pedir perdão. De fazer um mea-culpa e entender que a gente falhou, sim. E feio. O caminho errado no faz crescer, engrandece nosso caráter ao ponto de deixar o ego um pouco de lado e ver as coisas pelos olhos dos outros. Ou melhor, pelo coração deles. Este mesmo que a gente partiu.

Então, depois de muito tempo, talvez anos, a gente procura de novo. Diz que está com saudades. Talvez, nem faça mais sentido um pedido de desculpas. Quem sabe o tempo há curado a ferida. Mas ainda existirá história para compensar, corrigir e amar.

A vida não é uma sucessão de acertos, mas um seguir na dinâmica das tentativas.

A gente tenta muito mais do que acerta.

Por isso, é natural voltar, tentar de novo e de novo. Quantas vezes forem necessárias.

Não ligue para quem é incapaz de entender que pegar a direção certa é desviar da errada. Não absorva as críticas de quem não se dá conta ou não quer enxergar que tomou o rumo errado na vida.

Regresse para sonhos esquecidos, para as amizades perdidas. Revisite os lugares que sente saudades, principalmente dentro si. Retorne àquelas incríveis partes de você mesmo que há muito abandonou.

Ou retorne para o novo, para o nunca navegado. Para o caminho inédito e mais feliz.

Então, a escolha que você fez ontem ou anos atrás, pode ser refeita a qualquer momento. Em toda esquina da vida há um retorno. Você só precisa decidir abandonar o que não faz sentido na avenida do destino e reconstruir a sua verdade, seja ela uma pequena parte ou a alma inteira.

Porque, meu caro, sempre será melhor viver voltando atrás do que morrer com o coração partido.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.