Tentar mudar o outro é mudar o comportamento humano. E isso é uma tarefa das mais penosas, porque aquilo que já faz parte do hábito de uma pessoa raramente será alterado.

Ela pode até melhorar ou piorar, agora, haver uma verdadeira transformação é uma missão quase impossível.

Isso porque nossa formação começa na tenra idade.

Assimilamos valores e aprendemos comportamentos que se tornam parte daquilo que somos.

Então, alterar o padrão de nossas ações é transformar a alma. O que é lindo, mas se já dá trabalho demais mudar a si mesmo, imagina o outro.

Tem quem esteja acomodado na situação de ser quem se é, mesmo desagradando a todos.

Gostariam muito de tornarem-se uma pessoa melhor, não só para aos outros, mas também para si mesmo. Porém, os comportamentos estão tão enraizados que, ao mínimo de distração, eles voltam ao controle novamente.

Isso porque o nosso cérebro passa a funcionar automaticamente depois que fazemos algo repetidas vezes.

É como aprender a andar de bicicleta, a gente pode custar a se equilibrar, mas, quando consegue, nunca mais esquece.

O problema é que em alguns casos, a pessoa aprende a desequilibrar a si, aos outros, ao mundo, e não consegue mais parar.

Então, é necessário um longo e árduo processo.

Primeiro, é fundamental o real desejo de mudar. Aquele que brota lá do fundo do coração e é capaz de nos fazer abdicar de muitas coisas em prol de uma nova e melhor versão de nós mesmos.

Se essa busca não for a verdade da sua alma, nunca haverá a mínima transformação.

Depois é preciso buscar ajuda. Novos ambientes, boas influências, pessoas que são exemplos, uma terapia ou uma religião.

Aquilo que você mais se identificar, sem culpa e sem julgamentos. Viver um dia de cada vez, numa jornada que pode ser tão longa quanto a sua própria vida.

E se há amor de verdade e o sincero desejo do crescimento, é um caminho que pode ser bom seguir juntos, aprendendo e colaborando um com outro.

Afinal, ninguém é perfeito e, apesar disso, é possível amar e ser feliz, sim.

Por outro lado, é impossível mudar alguém que não vê problema em suas atitudes.

Então, ajudar essa pessoa a evoluir pode virar uma grande guerra na sua vida. Como encher de água um balde sem fundo.

Se o comportamento do outro é um transtorno para você, se lhe causa muitos problemas e infelicidades, em vez de continuar dando murros em ponta de faca, talvez seja melhor parar de tentar mudar alguém que não pretende melhorar.

Ou encaixe a pessoa na sua vida dentro daquilo que ela é. E não em função do que você espera que ela seja.

Dê apenas os espaços que ela é capaz de ocupar bem.

Assim, evita a frustração de se decepcionar com quem não está à altura da sua expectativa.

Talvez encontrar alguém com mais educação, que o respeite, com seriedade diante da vida e afinidade com você seja o que precisa acontecer para você se livrar do peso de alguém que está sempre fazendo aquilo que o entristece.

Você não se afoga porque caiu na água. Você se afoga porque permanece nela.

Então, quando for sofrido esperar do outro uma transformação que ele não pode lhe dar, saia da água para não submergir na vida. Mude você mesmo, para bem longe.

E, talvez, essa seja a melhor mudança que, de fato, poderia acontecer na sua vida.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.