Chega um dia que a gente cansa de fingir que acredita e precisa parar de se enganar. Esconder-se da verdade, não faz ninguém feliz.

É impossível fingir para sempre que não vemos o que está mais do que claro diante dos nossos olhos. Que já deu o que tinha que dar. Que conviver com algumas pessoas não faz mais sentido.

Chega um dia, inevitavelmente, que a gente precisa tirar a venda inconsciente dos nossos olhos, pois ela oculta tudo aquilo que é muito difícil de enfrentar, embora necessário.

Porque, desveladas as ilusões, nossa mente se ilumina e o coração purifica.

De tal sorte, damo-nos conta de que alguns amigos não são tão amigos assim. Da mesma forma, aquela pessoa que a gente chama de amor, está muito aquém do que realmente significa este sentimento, quando, na verdade, ela já não nos faz mais feliz.

Pelo contrário, tira o nosso sono, a nossa autoestima e, às vezes, até a nossa vontade de viver. Equivocadamente, a gente se acostuma, como se fosse normal. Inclusive, nem percebe que faz mal.

Este é, portanto, o exato momento em que a gente para de se enganar e encara de frente os sinais da traição, da falta de afeto. E, assim, aceitamos, finalmente, a angústia que traduz o fim do amor.

Da mesma forma, chega um dia que nos damos conta do quanto estamos insatisfeitos com o nosso emprego. Ou precisamos mudar de carreira, ou correr atrás daquilo que realmente nos realiza.

Visto que a rotina pesa, a gente sente a alma despedaçada desperdiçando a vida.

Chega um dia também, em que finalmente entendemos que ela é curta e passamos a perceber os sinais que a realidade nos envia.

Os problemas recorrentes revelam nossa falta de vontade, de empenho, não por incapacidade, mas porque não pertencemos àquele lugar, àquela pessoa.

A partir deste momento de iluminação, a nossa alma se eleva e, com muita coragem, olhamos para todos os nossos erros.

Consequentemente, encaramos defeitos escondidos e os vícios de comportamento que só nos fazem sofrer.

Então, cai a ficha de que abrimos mão de tantas coisas importantes. Como também, deixamos de lado pessoas que realmente nos faziam bem.

Neste momento, abrimos a gaveta dos sonhos esquecidos e entendemos que a vida acontece dentro da gente e não fora.

Assim, a única coisa que resta é dar um basta em si mesmo, porque já estamos exaustos de acreditar nas próprias mentiras. De tropeçar na mesma pedra e cair sempre no mesmo lugar. Cometendo, desta forma, ciclicamente, o mesmo erro.

É, certamente, quando chega a hora de assumir a responsabilidade sobre nossa vida, sobre nossas escolhas e limitações.

A gente se olha e aceita os nossos defeitos porque, finalmente, consegue enxergá-los.

Imediatamente, dispomo-nos a lutar por uma melhora na busca do amor-próprio, encontrando o caminho mais tranquilo do destino, porque arregaçamos as mangas e recolhemos as pedras, em vez de fingir que elas não existem.

Igualmente, paramos de insistir em tudo aquilo que já não tem mais sentido, porque cansa fingir. Então, deixamos ir as pessoas que não agregam com seus egoísmos e maldades. Com suas negligências e indiferenças.

É a hora certa para se dar conta sobre do que desistir e do que correr atrás. O momento em que nos encontramos com a autenticidade.

Quando a gente cansa de fingir, deixamos de ser pelos outros para nos encher de autoestima e viver tudo aquilo que somos capazes, de fato, porque mergulhamos em nossa verdade e adoramos o sentimento de paz de ser o que se é.

E, embora tenhamos consciência de que nem tudo passará a ser perfeito, entendemos alegremente a calma no coração como uma benção de Deus.

Assim, nos sentimos mais perto do que significa ser feliz.

Uma paz que chega quando decidimos nos contar todas as verdades. Sem dramas, nos quais ocupamos o papel da vítima, nem ilusões, onde nos dizemos melhores do que realmente somos.

Pés firmes na realidade e alma em sincronia com a lucidez. Entramos na roda da existência do Universo.

E este é o melhor momento de nossas vidas, quiça o começo, porque é o dia da libertação de tudo aquilo que não é, de tudo aquilo que nos atravanca a vida, nos impede do sucesso e da paz interior.

Este é, finalmente, o instante em que a gente ressuscita na própria vida.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.