É muito curiosa a pretensa arrogância de quem publica desaforos nas redes sociais, que nem são mais indiretas e, sim, uma direta mesmo, de esquerda ou de direita, na cara daquelas pessoas que votaram contrárias as suas ideologias e expectativas.

Os políticos de internet que se negam a sair do conforto de suas cadeiras para lutar por uma sociedade ideal pouco fazem além de disseminarem seu ódio através do teclado. O grito em caixa alta dos que não fazem nada e sabem muito pouco nos dão a impressão de que sequer se dão conta de sua ignorância política porque agem como se fossem o próprio presidente do Brasil ou, pelo menos, de um congresso surreal que existe apenas em volta do seu celular.

Não temos a mínima ideia de quão suja pode ser a política. Entre cenas com interpretações precárias à leis que poderiam ser positivas à sociedade, entre lágrimas de redenção e aviões que caem, passa-se um mundo que desconhecemos quase que em absoluto. Não fazemos a mínima ideia de que aquele sorriso simpático sob um discurso benevolente pode esconder um psicopata, nem de que por atrás daquele cavalo de patadas certeiras pode existir a intenção de construir um país melhor. Ou vice versa.

Exatamente por isso que todos nós já cometemos o despautério de votar em políticos incompetentes, até porque houve uma época que talvez eles fossem a grande maioria. Todos nós já votamos em políticos corruptos, que se não eram na época foram descobertos logo em seguida e nos deixaram atônitos de vergonha pela enganação que nos fizeram passar.

Por isso, ninguém tem moral para sentir vergonha alheia do voto do amiguinho.

Pelo contrário:

Sinta vergonha das vezes que você mentiu ou dos momentos que tirou uma vantagem desonesta.

Sinta vergonha por quando furou a vida, estacionou onde não podia e ainda deu ao policial uma propina.

Sinta vergonha por todas as vezes que você traiu quem amava, agrediu quem não devia e não soube pedir perdão a quem chorava.

Sinta vergonha por aquelas ocasiões que você desonrou seus pais, errou com seus filhos ou deixou seu irmão na mão diante de um momento difícil.

Sinta vergonha pelos momentos em que perdeu para o preconceito, que se afogou no destempero e ofendeu quem merecia respeito.

Sinta vergonha das promessas de amor esquecidas, dos encontros que faltou e por todos os compromissos que chegou atrasado.

Sinta vergonha pelos seus julgamentos equivocados, pelas palavras mal proferidas e pelas dívidas que nunca pagou.

Sinta vergonha de quando agiu com egoísmo, mesquinharia e não foi capaz de ajudar quem tanto lhe pedia.

Sinta vergonha das maldades cometidas, pelas vinganças cumpridas e rancores que causam feridas.

Sinta vergonha pelas tantas pessoas que você já feriu e mais, pelas tantas vezes que conseguiu ferrar com sua própria vida.

E deixe que o coleguinha de rede social, que votou nesse ou aquele candidato, sinta sua própria vergonha do voto que cometeu.

Isso não tira o seu direito de exigir honestidade das pessoas e dos políticos, de almejar segurança para quem você ama e educação para todos os filhos da pátria. Você pode revindicar um melhor custo de vida e que os políticos representem o nosso bem-estar, em vez de nos usurparem uma vida que poderia ser tranquila, quando nos roubam na cara de pau e se dizem inocentes com um tom que beira a psicose.

Sim, brigue, grite por um país melhor.

Mas tenha a ombridade de assumir os seus próprios erros e desonestidades. Deixe seu irmão errar com a mesma paz que você clama para si mesmo.

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