Certamente, não podemos voltar atrás e mudar o passado. A única alternativa é recomeçar dando a si mesmo a oportunidade de ser feliz novamente. Então, sacode a poeira e dá a volta por cima, agora.

Dentre tantas coisas, recomeçar pode significar liberdade, alívio, novidade e até felicidade, desde que reiniciemos guiados pelo nosso coração.

Quando viemos à vida, iniciamos nossa trajetória nesse mundo, mas para nossa alma é um recomeçar.

Note, recomeçamos a todo instante. Ao aprender a falar, a andar. Logo seguimos descobrindo o mundo e cada vez que algo novo nos surpreende, mais uma vez recomeçamos sendo outro. E, assim, nas dores, nos amores, em tudo.

Também recomeçamos quando entramos para escola. O novo mundo do convívio social. Das artes, do recreio, dos coleguinhas. E cada nova série que passa, um recomeço. Mais desafios, maiores entendimentos, novas decepções e outros erros para aprendermos a lição.

E assim por diante. Até que mudamos o corpo, as vontades e os desejos. E, desta forma, iniciamos uma nova fase da vida. Novas experiências, novos sentimentos, e outras dores mais profundas.

E, então, apertamos com mais frequência a tecla reiniciar.

Eventualmente, recomeçamos também quando trocamos de emprego. Um novo processo, um sistema diferente, novas posturas e pessoas em um outro ambiente.

Por certo, uma retomada do crescimento profissional com diversas pitadas de decepções, tropeços e superações. Reinauguramo-nos na conquista, na vitória.

E, então, fazemos novas amizades ou experimentamos o ponto de vista de alguém. Mais um recomeço quando falamos com um estranho que muda um pensamento enraizado há anos em nossa mente.

Inclusive, até depois de uma briga, nascemos de novo. Aliás, reinício muito necessário. De reflexão e busca de sabedoria. Então, reinauguramo-nos. À às vezes, só um pouquinho, em outras ocasiões, em um grande e triunfal recomeço.

E, principalmente, recomeçamos quando não nos importamos mais com certas coisas, quando abrimos mão de manias chatas e hábitos desagradáveis.

Quando nossa paciência se expande e o altruísmo nos toma. Quando compreendemos a limitação do outro e não o julgamos, e ainda somos capazes de sentir compaixão por quem errou com a gente.

Inegavelmente, recomeçar é deixar de ver as coisas pelo próprio umbigo e entender a humanidade como um todo interligado sob a incumbência de fazer do planeta um lugar melhor de se viver.

E, talvez, recomeçar seja reinaugurar o mundo, pelo menos o nosso.

O sofrimento apesar de penoso, nos renova. Ensina-nos a não cometer o mesmo erro, a ser mais prudente e menos emocional.

Através da dor, aprendemos a ser um ser novo de novo e, então, apesar de tudo, sacudimos a poeira e recomeçamos.

Seja uma decepção amorosa, seja uma traição no trabalho, uma dor familiar. Machuca, mas o tempo é capaz de nos reiniciar, mesmo porque não há outra alternativa para escapar da tristeza, que não um novo recomeço da alma.

Dos amores acabados, nascem os maiores recomeços. Eles nos tomam, nos envolvem. São capazes de nos causar as melhores sensações e os maiores sentimentos. Mas também podem ser doloridos e traumáticos.

Então, recomeçar passa a ser nossa única saída. E aos poucos vamos trocando a carcaça surrada e deixando para trás aquele “eu” arrasado e deprimido para iniciar uma nova versão de nós mesmos dando um reset no coração.

Podemos recomeçar errado também, mas enquanto houver algum resquício de vida na gente, sempre existirá a possibilidade de voltar atrás e recomeçar quantas vezes for necessário.

De uma maneira diferente, melhor, insistindo bravamente em escrever uma linda história com infinito número de começos. 

Por isso, jamais esqueça que um fim também significa um novo começo. Uma história termina para dar lugar a outra. Desta forma, que nunca lhe falte vontade nem coragem para seguir nessa viagem, porque é bom demais quando a gente sacode a poeira.

E, após ler esse texto, olhe para a vida com esperança, tendo a certeza de quando essa leitura acabar também será, para você, sempre um novo tempo de recomeçar.

Sacode a poeira e vai.

Afinal, as pedras que estão hoje no seu caminho, amanhã podem construir o seu castelo.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.