Rede Social! É lá que os inimigos viram amigos, que os desconhecidos e anônimos frequentam sua vida, onde todos prestam mais atenção na vida dos outros do que na própria. Com a rede social, os pobres de espírito da vida real passam a ser os sínicos em grande escala do mundo virtual. É simples. Vão descendo a barra de rolagem, amando as postagens e fazendo os comentários mais encantadores. É mais fácil do que ligar ou visitar cada um, principalmente, contra a vontade. A rede social garante eficiência e rapidez no cordão dos convenientes.

São os empáticos da internet e só na internet: “Tamo junto”. É fácil e rápido de escrever. Alguns nem se dão o trabalho de colocar um emoji feliz. Eles têm mais o que fazer na vida real onde não estamos nada juntos. E podem até falar mal de você. Sim.

Curtem sua postagem para depois chamar alguém no privado e dizer: “Viu que bobagem?”

Ah… Se o amor da rede social fosse o amor da vida real, com tantas curtidas e amadas, o mundo seria um lugar de paz. Aliás, quanta declaração de amor espalhada pela rede. Melhores parentes do mundo, do Facebook para fora, porque quando entra dentro de casa é um salve-se quem puder.

Tem pais que descrevem seus filhos como as maiores bênçãos de suas vidas na rede social. Mas passaram a vida toda os tratando com desafeto e indiferença, aos gritos. “Meu filho é tudo para mim.”, com vários coraçõezinhos. E é tudo mesmo! Inclusive saco de pancadas. E, talvez, o emoji mais correto fosse um a mão do soco.

Sem falar nos casamentos que já foram para o brejo, mas que um ou os dois cônjuges insistem em declarar um amor que não existe mais. “Meu amor eterno”. A dissimulada postagem pode ser eterna se o Facebook não acabar, mas na vida real, já não faz mais sentido.

E são os melhores amigos, pais e filhos da rede social, apenas. Que pena.

Sentimentos criados no mundo virtual que não condizem com a realidade.

Porque as pessoas não estão dizendo que amam para as pessoas que elas marcam nas postagens, elas dizem isso para que os outros leiam. Para aparentarem a família feliz que não existe ou a relação perfeita que gostariam de ter, mas que nunca conseguiram construir. É como se exibir em um carrão importado com o pagamento atrasado. Se amamos mesmo, olhamos no olho e falamos. Valeu muito mais do que um textão na internet.

Então, quando precisam de você, começam a curtir suas publicações, mostrando que nem todo coraçãozinho significa amor na rede social. Por outro lado tem quem adora sua foto, entretanto não curte para não lhe dar importância. Quanto teatro. Falsos sentimentos são a ilusão de corações pobres, que talvez até quisessem amar de verdade, mas não conseguem.

Há também aqueles de personalidade fraca que se escondem atrás da rede para dar as opiniões que não são capazes de dar olhando nos olhos. Até porque quase sempre nem sabem o que estão falando. São cantores de chuveiro dando palpite em música, cozinheiro de fim de semana passando receitas milagrosas. Pessoas super politizadas que odeiam a esquerda, a direita e todo mundo. Aí postam comentários homéricos, sentadinhos na cadeira em casa sem a coragem de fazer a diferença. E, pior ainda, quando falta caráter para aqueles que usam perfis falsos para destilar sua raiva pelo mundo, proveniente da própria frustração de ser quem se é. Então, eles confundem liberdade de expressão com a necessidade de expurgar seus ódios.

Precisamos, urgentemente, entender que a melhor rede social ainda é aquela mesa rodeada de amigos.

E só nela nem precisam se dizer “Tamo junto” porque já estamos. E o emoji será um alegre sorriso no próprio rosto. Sem teclado, sem rede e sem comentários.

Apenas no silêncio que de um amor real que não nunca morre junto com a bateria do celular.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.