Todo tipo de afeto, seja de amor ou amizade e até mesmo de coleguismo, tem que ser na reciprocidade para ser sadio.

Mas não é uma igualdade negociada e interesseira, onde você combina que, o que der, vai receber e atinge um equilíbrio exato, uma troca proporcionalmente perfeita.

Não. É um sentimento natural de carinho que desperta no outro a gratidão e, então, vira o amor que volta na mesma proporção, às vezes, mais, outras, menos, dependendo da capacidade de cada um.

Porque na relação que você aceita migalhas enquanto dá tudo o que tem, não existe um sentimento genuíno de amor.

Talvez, seja pura submissão, masoquismo, um complexo de inferioridade de alguém que não se ama o suficiente. E não podemos confundir isso com entrega. Porque amar não é sofrer ou se corromper. Dar carinho não significa se anular.

De fato, o amor-próprio é o escudo que protege você daquelas pessoas tóxicas que o procuram apenas para sugar sua energia e não têm nada a acrescentar na sua vida.

Então, em vez de mostrarem o quanto você é capaz de ser amado, elas o colocam para baixo, fazendo você desconfiar do próprio valor.

E esse é o saldo gerado pela falta de reciprocidade. Como numa conta de um banco onde as pessoas tiram o dinheiro da sua, mas nunca depositam nada.

Assim, você fica com débito negativo, neste caso de afeto e, consequentemente, de autoestima.

Mas você tem qualidades demais para se submeter a uma relação assim, além de ser de uma importância enorme na vida de muita gente. Por isso, jamais permita que alguém o faça se sentir inferior lhe dando menos atenção e carinho do que merece.

Não é uma dívida que você cobra, mas um sentimento genuíno que deveria existir, sem você precisar avisar, entretanto, falta. E faz falta.

E esse lugar não é seu. Você não merece mendigar afeto, implorar por atenção. Não se corre atrás de alguém que foge da gente. O amor se move naturalmente, não precisa ser forçado.

Amar é devolver ao outro tudo aquilo de bom que ele lhe causa. Desta forma, a reciprocidade nasce naturalmente e segue sadia.

Porém, se falta reciprocidade, falta tudo. Por isso, não aceite cheque sem fundos de afeto, nem atenção a prazo. Carinho não vem em prestações. O sentimento verdadeiro é instantâneo. Só aceite amor se for à vista.

Mas não seja orgulhoso. Pelo contrário, seja fiel aos seus sentimentos.

Faça por quem você se preocupa. Por quem já fez muito por você. A gratidão não requer exigências. Procure uma pessoa porque no seu coração existe afeto e não porque ela também o procura.

Até porque, às vezes, as pessoas precisam de ajuda, estão em um momento mais difícil que você. E o seu papel como alguém que ama é ajudar.

Entretanto, não se culpe por esperar mais do que podem lhe dar quando estiver passando por dificuldades. Decepções acontecem sim. O melhor que você faz é encerrar a conta dessa relação tóxica.

Você merece muito mais, sua vida e suas histórias também.

Portanto, leve consigo que seus segredos você conta para quem sabe corresponder com confiança. Fraquezas você divide com quem deseja motivar você. Afeto damos a quem faz a gente se sentir amado.

Então, quando encontrar alguém que acredite nessa lógica, não descole nunca mais. Que seja um ciclo vicioso de amor, carinho e atenção, onde a competição seja a de quem dá mais afeto e não de quem procura menos.

E, principalmente, jamais se esqueça que RECIPROCIDADE não é para qualquer um. É coisa rara. Como diz o antigo lema: Antes só, do que mal acompanhado.

Porque é sempre melhor um filmezinho sozinho na cama do que o sofrimento de uma relação onde não há reciprocidade, apenas sentimentos tóxicos.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.