Nós todos estamos suscetíveis as mais variadas pancadas da vida. Pode ser a rasteira de alguém que confiamos, o desafeto de outrem que amamos ou a desilusão de um sonho não realizado. São mágoas que apertam nosso coração, pesam no nosso peito e nos afogam em uma tristeza que pode virar uma forte depressão. Mesmo porque nos sentimos impotentes diante da covardia dos outros ou das fatalidades do destino. São coisas fora do nosso controle. E isso pode causar uma reação bem negativa:

A revolta.

É quando ficamos presos à sensação de injustiça. Remoemos o ocorrido, odiamos a todos, à vida. Queremos acerto de contas, vingança. Nos desequilibramos em busca de uma compensação pelo revés que sofremos. A não aceitação vira uma bola de neve de sentimentos negativos dentro da gente que gera, então, uma sequência de atitudes equivocadas, destrutivas, pior, autodestrutivas. Entramos em um caminho ruim, escuro e pesado. Não dormimos, não nos damos bem com ninguém, tudo vira um problema porque vivemos, a cada minuto, reformulando o que sofremos, mesmo sabendo que não tem como voltar no tempo, que o passado é imutável.

Realmente não há como apagar a derrota, a perda, a traição. E, muitas vezes, o infortúnio, em vez de ficar no pretérito, transforma-se em um grande peso no presente, acabando com nosso humor, com nossos dias e pode até levar a uma tragédia. E, então, muitos de nós acabam se transformando nos algozes dos quais foram vítimas e saem por aí fazendo todo o mal que um dia sofreram.

Entretanto, existe um outro caminho que podemos seguir. O da liberdade. Isso mesmo!

Desvencilhar-se das amarradas da dor é o que de melhor podemos fazer por nós mesmo.

Porque engana-se quem pensa que o mundo é perfeito, que as pessoas existem para serem maravilhosas. Nós nascemos exatamente do jeito que somos, repletos de defeitos.

Um caminho errado pode levar uma pessoa para o mal, mas esse caminho equivocado também faz parte da existência. É tão legítimo quanto o caminho correto. Não é uma falha da natureza. A diferença está na escolha que nós fazemos. Todos os dias, a todo momento, entre explodir ou deixar ir.

Por isso, perdoar o Universo por esse lance de azar e pelas pessoas más que fazem parte da sua vida é a melhor forma de aliviar o peito, como um rio que escoa e limpa o coração. Purifica a alma. Em vez, de perder a calma repita a você mesmo:

“Sou mais forte do que todos que me prejudicam. Sou maior do que todo o mal que me atinge. Por isso, deixo esvair-se tudo de ruim que já me aconteceu. Universo, eu te perdoo. Aceito. Agradeço. E sigo leve em paz comigo mesmo, com o coração fértil para a felicidade.”

E, em um suspiro profundo, a dor se vai. O coração desapega do passado e os olhos miram um futuro de paz.

Um leve sorriso estampa os lábios, motivado pela certeza de que a felicidade depende da importância que damos aos fatos, o poder e espaço que abrimos para um acontecimento em nossas vidas.

Então, a gente protege nossos queridos das dores que sofremos. Curamos nos outros as feridas que carregamos. Damos o amor que nunca tivemos. E conseguimos ser feliz de uma forma que jamais havíamos imaginado que seríamos capazes de ser:

Porque a dor, finalmente, virou amor.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.