A OMS (Organização Mundial de Saúde) apresentou um relatório em setembro do ano passado, cujos dados confirmam que mais de 3 milhões de pessoas morreram por causa dos efeitos nocivos do álcool em 2016.

Para efeito de comparação, em 2017, morreram 650 mil pessoas devido à complicações da gripe. O número de homicídios em nível mundial no mesmo ano, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) foi de 463 mil.

Assim, fica evidente que o álcool mata e mais que um homicida.

Então, pesa sobre a responsabilidade social de todos os artistas que bebem durante suas lives ou apresentam-se embriagados, quando 5 por cento das mortes no mundo inteiro são em consequência do abuso das bebidas alcoólicas.

Isso mesmo, apesar das milhares de doenças mortais, a cada 20 mortes, uma é por causa do álcool.

Os famosos são muito bem pagos para trabalharem em campanhas publicitárias de bebidas porque vendem. Podem não decidir pela pessoa, mas seus cachês milionários evidenciam que eles estimulam o consumo de bebida.

Mesmo que não estejam dentro do carro, estão na mente de um jovem que dirige embriagado, cujos pais serão acordados no meio da madrugada para receberem a notícia de sua morte.

Esses artistas também são as mãos do marido que chega em casa, bêbado, e espanca a mulher na frente dos filhos. Quando não exagera na força, como exagera na bebida, e tira a vida da própria mulher que nem bebe.

Os blogueiros que acham divertido fazer brincadeiras com bebidas alcoólicas em seu canal, também estão presentes no ímpeto de outros maridos que vão violentar suas próprias mulheres ou alguma outra desantenada voltando para casa.

Então, eles acordam de ressaca, depois de mais uma live de sucesso. Tomam um remédio para dor de cabeça e logo tudo volta ao normal, mas as meninas jamais esquecerão o abuso que sofreram de parentes ou até mesmo do pai, bêbados. E os meninos também não. Mesmo com o número de doações do show virtual.

Pois é, quem diria, mas o nosso descontraído álcool está diretamente ligado a homicídios, feminicídios, à maioria dos acidentes de trânsito, à violência física  e sexual, inclusive, pedofilia.

Fora os danos psicológicos que causa em todo mundo que se vê obrigado a conviver diariamente com quem bebe ou sofre as consequências da bebedeira alheia na própria pele.

Precisamos de mais motivos para não fazermos propaganda de bebidas alcoólicas?

O artista pode negar. Isentar-se equivocadamente da culpa. Dizer que é uma escolha individual. Mas não é. O ser humano é influenciável. E quando a gente tem consciência de que existem pessoas que vão beber e causar danos aos seus familiares e à sociedade, nós temos responsabilidades, sim.

Ninguém ganha Um milhão para fazer uma campanha de bebida só pela pose. Uma empresa paga esse montante porque sabe que o famoso é formador de opinião e influenciará as pessoas a beberem muito mais. Investe em tal personalidade conhecida exatamente com esse objetivo, que se reverterá em lucro. A marca agrega valor e o artista perde.

É preciso a tomada de consciência.

Urgentemente, entender que o álcool é uma mal na nossa sociedade, capaz de destruir vidas e famílias inteiras.

Sem falar que é a principal porta para outras drogas, um convite a um caminho sem volta.

Não! Não é só uma live e um goró. Só uma brincadeira para atrair mais seguidores. É sério, pesado e, muitas vezes, trágico. Exige maturidade, empatia e envolvimento com o bem comum. O único álcool do momento é o gel.

Porque, minha cara celebridade, se as suas mãos não estão sujas de sangue, pode ter certeza que a sua moral está. Tim, tim.

Fontes:

https://www.who.int

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/07/08/

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.