É difícil de acreditar, mas, às vezes, quanto mais amado, mais problemático e ingrato um filho pode se tornar. Por isso, é preciso estar atento ao limite do amor dos pais.

Geralmente, na ânsia de fazer o melhor para os nossos rebentos ou evitar que passem por sofrimentos que nós mesmos já passamos, acabamos por exagerar em preocupações.

Desta forma, intercedemos demais colocando em risco a sua formação como um ser independente.

A seguir, 8 momentos em que o excesso de amor dos pais pode atrapalhar:

1- Exigimos demais

Por amar demais nossos filhos queremos que eles sejam perfeitos. Então, regulamos seus comportamentos, posturas e escolhas.

Entretanto, isso os deixa inseguros por sentirem-se sempre aquém das expectativas dos pais.

Por outro lado, pais saudáveis exigem menos e não forçam seus filhos a irem além dos seus próprios limites.

2- Superprotegemos

Pais que amam demais acabam querendo fazer de tudo para o filho. Viram empregados, secretários, enfermeiros, inclusive gênios da lâmpada mágica que satisfazem todos os seus desejos.

Mas, inegavelmente, isso apenas evita que um filho caminhe com suas próprias pernas e que tenha uma autoestima saudável.

3. Impondo sonhos

Muitas vezes, sonhamos para os nossos filhos algo que é grandioso para nós, mas que pode não ser para eles.

Seja uma carreira, uma família ou uma habilidade, sem dúvida, não podemos fazer com que nossos filhos compensem nossas frustrações.

Evidentemente, eles têm as suas características individuais, seus sonhos e uma história própria para construir. E o amor dos pais não pode se colocar como empecilho.

4. Proibindo

É muito delicado proibir um filho de algo. Porque se for muito importante, ele irá fazer escondido.

A melhor forma de lidar é mostrar para um filho os danos que tal atitude ou escolha podem causar.

Mesmo assim, existirão momentos onde será preciso que ele aprenda errando e outros que a proibição será necessária enquanto imposição de limites.

5. Escondendo a verdade

Embora possa parecer proteção, não contar a verdade é colocar um filho em um patamar inferior.

Isto significa tratá-lo de forma infantil, deixando-o de fora de algo porque acreditamos que ele não é capaz de lidar.

Tudo tem sua idade, mas pais que querem o melhor para o filho sabem a hora certa de contar o que for.

6. Excedendo em atividades

Todos pai e mãe quer ter filhos bem-sucedido e ver seus talentos desenvolvidos com excelência.

Porém, o amor dos pais acaba sobrecarregando suas crianças com curso de línguas, instrumento musical, dança e esportes.

Assim, em vez de aprimorarem talentos, as crianças desenvolvem fadiga, ansiedade, estresse e insegurança por não serem capaz de lidar com tantas responsabilidades ao mesmo tempo.

7- Passando a mão na cabeça

Pais que protegem seus filhos dos erros que cometem criam um adulto inconsequente e sem limites. Podem, inclusive, tornar-se criminosos.

Aceitar atitudes de falta de respeito dos filhos e não reagir a sua falta de educação é mais do que ser fraco, é causar dano a sociedade pelo adulto delinquente que seu filho poderá se tornar.

8- Controlando

Quando controlamos a vida de um filho, em vez de criar um adulto bem-sucedido, criamos uma pessoa insignificante.

Filhos fracos tornam-se, consequentemente, marionetes nas mãos dos pais, e pais fracos viram objetos nas mãos dos filhos.

Uma família não é lugar para marionetes e objetos, e sim para pais e filhos de verdade. Controle é sintoma de falta de afeto.

Portanto, permitir que as crianças encontrem suas próprias saídas é imprescindível para que elas se tornem adultos independentes e conscientes, pois, a melhor maneira de internalizarem um aprendizado é pela tentativa e erro.

Em muitas ocasiões irá doer ver seu filho sofrendo as consequências pelas falhas que ele, provavelmente, cometerá.

Entretanto, melhor uma dor momentânea agora por deixar a vida corrigi-lo, do que uma dor eterna pelo problemático adulto que ele se transformou.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.