Sabe aquela sensação de impotência diante da vida?

São tantos os problemas ao nosso redor que nos sentimos esmagados, deslocados, amputados. Essa sensação de inferioridade gera o ímpeto de desistir, fugir ou sumir.

Desta forma, sentimo-nos tão oprimidos pelos outros que chega um momento em que nos falta força de reação.

Isso acontece porque deixamos de acreditar no nosso verdadeiro valor e nos vemos deslocados em tudo a nossa volta.

Entretanto, a fábula abaixo vai revelar o segredo sobre esse poder que cada um de nós traz consigo e que é capaz de mudar nossas vidas.

O Rei Tigre e a Cobra Plebeia.

O Rei Tigre urrava de raiva pela entrada de uma cobra em seu reino.

Expulsei todas as cobras de minha floresta! Como ousas?

Quem disse que a floresta é Vossa?

Indagou a cobra deixando o Rei Tigre mais furioso ainda.

Todos sabem que é minha!

Só porque vós dizeis? Um dia essa terra fora de ninguém.

Mas eu lhe digo que agora ela é minha! As árvores são minhas assim como os seus frutos!

As flores são minhas, assim como seus perfumes! Os animais estão sob meu reinado! Todas as pedras preciosas são minhas!

E por que nós, cobras, não podemos ficar?

Porque vocês não têm valor nenhum. Suas imprestáveis! Sua carne é indigesta. Vocês não têm patas para marchar rumo à guerra, nem garras para trazer-me alimentos ou ouro. Suas formas alongadas são abomináveis e a textura de suas peles repugnante.

Não é porque não somos valiosas para Vossa Majestade que não temos valor para o Universo.

Se não têm valor para mim, não servem para nada. Precursoras do pecado!

Quanto preconceito!

Uma cobra jamais se chamaria Narciso.

Olha, Rei, tenho um veneno que temo usar, apesar de minha natureza imperfeita, mas Vossa Excelência destila um ódio que nem deveras tem, só o fabrica pelo esforço em maldade.

Sua cobra petulante! Olhe para mim e olhe para você. Estou por cima, sou mais forte. E você é um réptil desprezível e amputado. Arrepender-se-á de me afrontar!

Imediatamente, o Rei Tigre tentou esmagar a cobra com sua pata. Ágil, a rastejante escapou.

Então, o Rei perseguiu a cobra que se lançava por entre as majestosas patas no zigue-zague do medo. Até que, sem mais paciência, o Rei pegou sua arma de fogo e apontou para a cabeça da cobra.

Antes que o tigre atirasse, em um instinto de defesa, ela deu o bote e picou, precisamente, o umbigo da majestade. Uma gota de veneno, e o Rei foi ao chão perdendo seus sentidos para sempre.

Sua vangloriosa majestade, então, perdeu a razão de ser.

Logo em seguida, um anjo invisível aproximou-se do Rei e estendeu-lhe a mão. O Rei Tigre revoltado com a nova condição esbravejou:

Diga-me! Como uma cobra, um bicho tão ínfimo, pôde derrubar um soberano sobre seu reinado?!

É que, enquanto Majestade, você passou sua existência inteira sem entender uma fundamental lei da vida.

Ora, mas que lei?!

O verdadeiro poder está na essência.

E, aos prantos, o Rei Tigre entendeu que a força de alguém não vem de qualquer outro lugar que não seja o próprio coração.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.