Filho(a), você sabe que se eu tivesse como escolher teria partido depois.

A vida tem seus designos.

De certo, a gente fica meio perdido quando está pela Terra, mas aqui em cima fui capaz de compreender que vim na minha hora. Que estava escrito e que todos nós concordamos, mesmo que agora a contrariedade reine em nossos corações.

O que eu queria dizer é que eu não deixei de existir. Minha morte, filho, não é o fim. Nossas almas são eternas. Eu apenas me mudei antes para outro plano.

Que confesso, é um pouco melhor. Sinto mais em paz por aqui, sem as discórdias tão superficiais do mundo material. A nossa moeda é a caridade.

Também reencontrei pessoas de muito estima. Como a minha vozinha, querida. E , também, meu amado pai. Estou em boas companhias.

Eu sei, filho, doeu me ver ali sem vida. E, inegavelmente, doeu mais ainda entender o seu futuro com a minha ausência. Além de se ver diante da impossibilidade do meu colo, dos meus conselhos, do meu estrogonofe.

Entretanto, saiba que ainda olho por você e, daqui de cima, tenho um jeito mais especial de protegê-lo.

Assim, zelo e cuido de você, mesmo quando não me sente.

Eu também escuto você, meu filho. Não se sinta tolo por falar comigo.

Pelo contrário, divida suas façanhas. Relembre nossos melhores momentos e peça conselhos porque de uma forma ou de outra eu lhe responderei.

Tenha certeza que o seu “eu te amo” é canção para o meu espírito. Da mesma forma, filho, desejo que a sua alma esteja em paz. Essa é a melhor forma de também acalmar a minha.

Por isso, cuide de você mesmo, faça sempre as melhores escolhas. Assim, mantendo vivo este seu coração generoso que tantos orgulhos me deu.

Ainda que a saudade seja forte em seu peito, filho, quero ver você seguindo em frente, vencendo as tristezas e construindo uma linda história de vida e, também, realizando seu sonho mais desejado.

E, apesar da nossa distância, que você consiga ser muito feliz.

Filho, desculpa pelos momentos em que eu não estive presente. Igualmente, por aqueles que fui presente demais acabando por me intrometer onde não devia. Era excesso de cuidado.

Perdão pelas palavras duras, pelas vezes que me faltou paciência. Desculpe-me por todos os meus erros. Perdoa as minhas limitações.

Às vezes, sinto que podia ter demostrado mais amor, como também ter falado mais sobre as tantas coisas que admiro em você e do quanto foi especial ter você pela primeira vez em meus braços.

Do fundo da minha alma, espero que eu tenha o compreendido o suficiente, amado você o tanto que merecia, porque apenas quando chegamos aqui é que entendemos o valor que o tempo tem na Terra.

Desculpa, filho, por não estar aí em matéria.

Mas saiba que sempre acompanho todos os passos da sua vida. Inclusive, verei sim meus netos e bisnetos crescerem, ademais, estarei presente nas comemorações e ao seu lado nos momentos mais difíceis.

Eventualmente, perceberá minha presença com teu coração. E chegará o dia do nosso reencontro, pode ter certeza.

Mas até lá, se a saudade voltar a apertar, não pense que é sofrimento.

É somente a maneira de você sentir que eu fui visitá-lo, e pode ser o exato momento que eu estou abraçando você.

Meu filho, não morri. Virei uma estrela no céu. Logo a gente se encontra.

Te amo, meu filho, eternamente.

Até breve.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.