Beleza não é tudo, sensualidade não preenche a alma. É muito bom quando os corpos desejam o encontro, mas é muito melhor quando a alma os acompanha. Porque apenas atração física não é suficiente.

Porque no final das contas, o que salva um dia ruim não são as formas bem torneadas e, sim, a liga de uma relação que vem da empatia e compreensão mútuos. O sentimento de porto seguro que acalma o coração.

Não tem coisa melhor do que quando alguém nos enxerga e já sabe o que estamos sentindo e entende o que os olhos falam.

Aquela pessoa que nos dá o carinho na hora certa, a palavra de conforto que a gente tanto precisa ou um abraço que nos reinicia sem mesmo a gente pedir.

Quando surge aquela pessoa no meio de uma multidão e nos pergunta, “Está tudo bem com você?” Mesmo que a gente responda, sim, o peito alivia.

Sentimos-nos protegido quando sabemos que não estamos sozinhos na tristeza que escondemos atrás dos nossos sorrisos amarelos.

Falar com o olhar é a conexão mais difícil de se ter, porque é raro encontrar, e a mais fácil. Porque basta um desvio cheio de intenção ou uma encarada fixa e temos um discurso completo.

Dizemos e escutamos, com mais consistência, coisas muito mais profundas que talvez o diálogo não pudesse comunicar.

Então, mesmo longe, a gente decide a mesma coisa ou tem a mesma ideia ao mesmo tempo. Respondemos antes da pessoa finalizar porque já sabemos a pergunta. Ou falamos juntos aquilo que a gente nem sabia que concordava.

Vão dizer que é telepatia, transmissão de pensamento, mas não. E não tem nada a ver com a atração física.

É a conexão de duas almas que se encontram na rede dos sentimentos. E no fim a gente nem sabe o que veio antes, a afinidade ou o amor.

E também não importa, porque é incrível ter uma companhia que gosta do que a gente gosta e ainda gosta da gente. Combinamos preferências, atividades, viagens e até sonhos.

A vida fica mais fácil com os dois querendo, os dois se divertindo e, principalmente, com os dois se amando e querendo construir um futuro, juntos.

Ver um belo torso é bom, mas ver através dele é melhor ainda, porque mais interessante do que um decote ousado é a ousadia de ser uma mulher alegre.

Mais importante do que um bíceps robusto é a força que um homem é capaz de lhe passar diante de um problema que os músculos não podem resolver.

A atração física pode ser intensa e nos dar muito prazer, mas é fugaz e vai embora junto com o momento. Agora, quando é a alma que se conecta, um simples toque arrepia muito mais, um sorriso nos derrete, o corpo acha seu encaixe no fluir da paixão e o beijo nos deixa nas nuvens.

E, diferente do encontro de corpos, que no final só querem ir embora, é a conexão das almas que permanece, que nos faz querer ficar.

É quando as conversas e as ideias se encaixam que as pessoas ficam mais lindas. É quando as vontades e os desejos coincidem que a gente tem uma relação mais feliz.

E nem precisa ser a nossa alma gêmea, basta dizer “vem que eu te explico no caminho”, e a gente vai na certeza que está indo para ser feliz.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.