Muito interessante e sábia é a história do cego Bartimeu (Marcos 10.46-52)

Ao ouvir Jesus passar, o homem com a visão impossibilitada gritou por clemência ao filho de Deus. Jesus tocado pela sua voz solicitou o cego em sua presença.

Quando os homens chegaram até Bartimeu e contaram que Jesus o queria ver, ele levantou-se e tirou a sua capa deixando-a para trás.

Diante do peregrino divino, o cego implorou que voltasse a ver. E foi o que aconteceu. A explicação de Jesus era a de que a fé tinha curado aquele homem de vida limitada e medíocre.

Mas o que era a capa de Bartimeu?

Era o seu conglomerado de amarguras. A proteção feita de seus sentimentos negativos que regiam sua vida.

Ocupado com a posição de vitimista, interpretava-se como um mártir do seu próprio destino. Quando sua vida era a verdade daquilo que ele mesmo havia escolhido ser, e não uma conspiração aleatória do mundo exterior.

Nenhuma limitação é de fato limitante, apenas exige outros meios e adaptações, as quais nos fazem progredir com mais consistência, exaltando a força e a fé na construção de uma história linda de vida.

E assim devem ser nossos dias. Um eterno deixar a capa e seguir em frente. Abrindo mão de pensamentos pessimistas, da ideia de que as coisas não tem jeito ou que estamos fadados ao fracasso. A convicção de que vamos ser felizes é transformadora.

Então, o melhor a fazer é deixar nossa capa para trás, que nada mais é do que abrir mão do temperamento destrutivo, das posturas egocêntricas. Desistir de lutar por aquilo que não se pode mudar e que não fomenta o bem comum.

Por outro lado, batalhar por tudo que estimula o melhor nos outros e vibrações positivas no mundo. Cuidar da nossa mente, respeitar o nosso corpo.

E Bartimeu pôde ver.

Porque só quando jogamos fora a capa suja é que somos capazes de colocar os pés na realidade da existência.

Uma vez que, compreendemos que os sentimentos ruins são desvios do andamento do tempo corrente e inevitável do Universo.

Eles representam a corrupção da natureza da existência, que consiste no florescer de uma alma divina, onde a beleza de suas pétalas é a bondade da alma e os seus perfumes são as atitudes e palavras que exalam o bem.

E, assim, seguir com a certeza de que a vida pode ser recomeçada a qualquer momento.

Focar no germinar de um futuro lindo, com as conquistas que tanto almejamos e a felicidade que tanto ansiamos.

Não é necessário nem acreditar em Deus, desde que se tenha a humildade de perceber que a inteligência da concepção do Universo não é a toa. Que por trás de todo o mistério inalcançável do cosmos existe algo muito sério. Uma essência perfeita que constitui a existência, a qual devemos respeitar e deixar fluir em paz.

Pois, em seu funcionamento perfeito e constantemente evolutivo, cabe a cada um de nós assumir nosso próprio papel na natureza benevolente e germinativa da vida.

Portanto, nosso equilíbrio está nesse alinhamento com a beleza criativa do Universo, do qual o orgulho nos afasta e a entrega nos coloca, finalmente, em plena redenção.

Então, a sabedoria e o conhecimento nos acalmam e nos libertam.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.