Após o fim da relação, a vida é igual ao que era, porém, não somos mais felizes como antes.

A vida era perfeita antes de um certo alguém despertar o sentimento e você resolver não resistir e se entregar. Sua rotina era tranquila, sua concentração no trabalho era máxima, estar com seus amigos era suficiente. Você sorria à toa e era feliz. Até que um dia uma pessoa que não fazia a mínima falta na sua vida, rouba o seu coração. É um sentimento arrebatador que invade seu caminho e você escolhe viver um lindo romance.

Porém, depois de certo tempo as coisas mudam. O fervor da relação desaparece e a chama da paixão apaga. E o que era alegria e amor vira competição, brigas, então, fica difícil continuar. A alternativa mais inteligente é terminar. Exatamente o que vocês fazem.

Novamente sua vida volta a ser só você, mas aquela alegria que existia antes de conhecer seu último amor não volta com o término da relação

Pelo contrário, o que sobra é desatenção em tudo e melancolia. Falta vontade de sair da cama. A vida perde e graça, mesmo igualzinha a quando você estava em paz. A gente sente falta e sofre a dor de um amor que se foi. Mas por que, se antes a pessoa não fazia a mínima falta em nossas vidas?

Exatamente como um bebê que sente alguma necessidade e deseja a presença da mãe por que vê nela seu porto seguro. A mãe a supri e com a repetição, a criança acaba reconhecendo na figura materna, através da memória, a fonte desse alimento, proteção e carinho. E passa a amá-la. E, devido a sua grande demanda por afeto, vira um amor gigantesco. O mesmo acontece como em qualquer outro adulto em analogia e origem de todas as outras relações que temos na vida.

Desde o nascimento, temos a necessidade de ser amados e queridos.

E são as pessoas que nos fazem sentir assim que desejamos sempre manter por perto. Da mesma forma acontece quando nos apaixonamos. Tal pessoa passa a ser a fonte do amor que tanto almejamos para nos sentirmos completos. Então, quando ela vai embora, nossa memória afetiva permanece ligada a ela. Não é a toa que muitas vezes nos perguntam: “Já esqueceu sua ex? Exatamente porque cada vez que nos deparamos com a necessidade de amor, reconhecimento, proteção, consolo, carinho, proteção ou até mesmo companhia, as lembranças nos levam direto a quem acabou de partir. Mas não há mais mensagens de celular, telefonemas longos, nem para quem contar as novidades ou simplesmente o dia.

Da mesma forma, quando não existe uma relação de cuidado, fica mais fácil partir. A pessoa não cria necessidade de presença em nossas vidas, porque, de fato, não soube suprir nossas necessidades emocionais. Por outro lado, quando acreditamos que não podemos ser felizes, uma relação doentia de desafetos e agressões, onde somos subjugados e desrespeitados também pode nos fazer falta. Isso porque nossa autoestima está fraca, nosso amor-próprio inexiste. E só por causa disso.

E para nos livrarmos desse desejo que a falta nos causa, só mesmo o tempo.

Nesse período procure encher a mente para distrair a memória. Busque outras fontes de afeto, elas suprem a falta de um ex amor e nos fortalecem em términos doloridos. Crie novas fontes de ternura que tomarão lugar nas suas lembranças substituindo os sentimentos da antiga relação. E seja forte, porque, quando o amor acaba, a saudade é apenas um truque da memória.

É por isso que, depois de um tempo, o jogo vira.

Então, em vez de você não conseguir viver sem a pessoa, muitas vezes, passa a pensar em como pode viver tanto tempo com ela.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.