Estamos cada vez mais sozinhos nesse mundo, exceto na sensação de solidão.

Não se sinta culpado ou desprivilegiado por estar sufocado no vazio da solidão. O mal do século é o mau do amor.

Diante de tantos egoísmos, soberba e baixa autoestima, as pessoas ficam muito mais resistentes a demonstrações de carinho e, assim, afastam os seus.

Diante deste distanciamento, fica mais difícil de maturar os relacionamentos e, então, a solidão parece ser o destino certo de quem deseja atenção, mas não presta atenção no outro.

Nos dias atuais, onde os valores são invertidos, ser gentil, mostrar interesse e preocupar-se com o outro é sinal de fraqueza. A autossuficiência e o desprezo passam a ser estímulo de atração.

Mesmo que essa força admirável de independência seja, de fato, superficial, pois, qualquer um precisa de amor para viver.

Todos nós temos fragilidades e jamais seremos insubordinados ao afeto.

Ledo engano acreditar que forte é quem não precisa do outro.

É, então, que se origina uma realidade hipócrita porque, no fundo, essa postura de independência é exatamente uma estratégia para ser amado. É uma fórmula que muitos sabem que funciona, entretanto, nem todo mundo consegue suportar viver nela por muito tempo. Exatamente por esse intenso instinto de amar e ser amado.

Então, o que acontece é um ciclo vicioso, onde a falta de amor gera um complexo de inferioridade. A pessoa que se sente pequena cria naturalmente uma necessidade de mostrar-se superior e, assim, o faz através da economia ou escassez de afeto.

Com isso, forma-se uma legião de seres que querem admiração, mas são incapazes de retribuir a mesma consideração. Sinceridade vira munição para traição de quem a gente pensa que nos é leal, quando usam do ponto fraco, revelado em confiança, para nos atingir.

Falta honestidade, mas sobram maledicências no mundo das dissimulações. Receita perfeita para essa maravilhosa vida virtual de pessoas que sorriem nas fotos da rede social, mas choram no travesseiro.

Então, a busca incessante por aplicativos de relacionamentos, a facilidade de desabafar com qualquer estranho na internet, como também, essa urgência em satisfazer a libido, constituem um conjunto de fatores que apontam para um vazio no peito e uma fome gigantesca de criar laços verdadeiros.

Esses artifícios momentâneos tornam-se paliativos para a lacuna de amor dentro de si, embora jamais vire a cura.

Porque o verdadeiro amor, só se alcança amando.

E, diante do desconforto equivocado na troca afetos, as pessoas velam sua carência tentando compensá-la com exibicionismo, beleza, jovialidade e sensualidade, quando, na verdade, mais do que sermos desejados e admirados queremos mesmo é nos sentirmos amados.

E para que isso aconteça, nem botox, nem corpo sarado, personalidade forte, nem milhares de curtidas ou seguidores surtirão efeito. Apenas a bondade que temos no coração e a capacidade de usá-la em amor é que nos eleva ao patamar de seres verdadeiramente dignos de admiração.

E mesmo que a gente se dê  conta disso, de que o mau do mundo é apenas uma questão de amor, ainda não seria suficiente.

Porque a partir do momento que você se propõe a dar e demonstrar carinho, as pessoas o rejeitam. Elas não estão preparadas para um relacionamento maduro. Não acreditam serem merecedoras do seu carinho. Então, apesar da ânsia de amor, elas te julgam fraco e inferior ao amá-las.

E vira a grande contradição do mundo, uma vez que, a maioria das pessoas se debate louca por amor, mas sem a menor capacidade de aceitar ser amada.

Então, abra o seu coração. Permita-se amar sem se sentir fraco, a admirar sem se sentir inferior. A elogiar sem inveja. A ajudar sem sofrer.

E, principalmente, aprenda a ser amado com a certeza de que merece. Porque merece.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.