Após anos de paixão e intimidade, dividindo as dores, os sonhos, compartilhando experiências e amigos, fica difícil ver quem tivemos um intenso relacionamento como uma pessoa estranha.

O respeito que temos por um ou uma ex é exatamente proporcional ao respeito que temos por nós mesmos. Independente dos erros que a pessoa, a qual nos relacionamos, tenha cometido, ela foi uma escolha nossa, calcada nos valores e necessidades que tínhamos naquele momento.

Não escolhemos alguém para dividir a vida ou a intimidade ao acaso. Essa decisão tem a ver com aquilo que buscamos para nosso futuro, com aquilo que somos e que admiramos no outro. 

É chegada a hora de assumir essa responsabilidade porque só fazem com a gente aquilo que permitimos que façam.

Ele era um canalha, e você casou e teve filhos com ele?

Ela era uma interesseira, e você ficou anos na relação?

É claro que, às vezes, as pessoas nos enganam mesmo. Mas se não partimos na primeira traição ou mentira, na primeira grosseria ou tapa, então a responsabilidade de se relacionar com a pessoa errada passa a ser nossa. Voltar para um homem que lhe agride ou para uma mulher que mente patologicamente tem mais a ver com a baixa autoestima de quem fica do que com a pessoa que faz mal.

Então, sair por aí falando mal dos ex só nos coloca em um papel muito pequeno. Pois, se o cara é era um monstro, que tipo de mulher é capaz de ficar tanto tempo com ele?

Não. Ninguém é tão ingênuo assim. Porque, apesar dos defeitos, talvez ele também tenha amor para dar. Então, o que fazer com as falhas de um amor imperfeito? Simples: relevar, perdoar ou seguir em frente para o lado oposto, em vez de ficar numa guerra autodestrutiva dentro de uma relação que evidentemente não tem mais futuro. Afinal, vivemos em um mundo repleto de inseguranças e vaidades e quanto mais uma pessoa ama aquele que a fere, mais disponível fica ao ódio. E ninguém quer levantar da cama com esse rancor no peito, com essa angústia encrustada na alma.

Por isso, perdoe, mesmo sem reatar. Apenas deixe ir de seu peito tudo de ruim que passou. Libere toda a mágoa.

Não importam mais as feridas, as mentiras e as brigas. Fique apenas com os momentos alegres, de amor. Fique com o aprendizado. Guarde na memória o que era bom e aquilo que admirava no(a) ex. Ou ainda, as coisas maravilhosas que uniam vocês dois.

A experiência de uma relação é uma bagagem que você vai carregar para o resto da vida, então retire as coisas pesadas e leve somente o que for leve. Se permita sentir saudades. Deixe lugares, coisas e pessoas reavivarem com alegria as memórias dos momentos que tiveram juntos, sem achar que é uma recaída. Faz parte. Somos humanos.

Além de acalmar o coração, mostra maturidade em assumir suas escolhas do passado garantindo paz ao seu coração. E se puder seja amigo(a) do(a) ex. Essa é a melhor maneira de você respeitar a paixão que sentiram e, principalmente, o amor que você teve por ele(a).

Porque, afinal de contas, pessoas interessantes não escolhem mal. Apenas escolhem cada vez melhor.

Créditos da imagem: Fotógrafo Lucas Lermen. Foto liberada exclusivamente para o site inspirandoluz.com.br 

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.