Ninguém é superior. “Jesus lavou os pés dos discípulos, exatamente como os escravos lavaram os pés de seus senhores.” (João 13.13-15)

Em tempos de escassez de água, quando chegavam em casa, os homens lavavam suas mãos e seus pés. Os que podiam, tinham os pés lavados por seus escravos.

Nesse quadro, onde uns lavavam e outros tinham os pés lavados, Jesus, em primeiro lugar, quebra a hierarquia de tarefas no mundo ao mostrar que todas as atribuições são honrosas.

Não há trabalho menor, se é feito com amor.

Em segundo lugar, este gesto do filho de Deus mostrou que não há vergonha em servir, pelo contrário, as almas mais elevadas é que são as mais capazes de se ajoelharem diante do outro para contribuir com a sua paz.

É exatamente a humildade que transforma homens em anjos. Que eleva a alma a um nível superior.

Por outro lado, o orgulho de se negar a servir o próximo, escurece o espírito dos homens causando no planeta uma guerra de egos, onde o verdadeiro sentido da vida se perde por entre necessidades efêmeras de autoafirmação.

A maioria das pessoas deseja apenas ter seus pés lavados.

Assim como Pedro, não querem servir porque se sentem inferiores, demonstrando uma autoestima baixa e um desvalor a si mesmo, o qual precisa ser compensado submetendo o outro a uma posição inferior.

Certamente, são pessoas que não entenderam a mais importante das lições de Jesus: lavou os pés dos discípulos, exatamente, porque ninguém é melhor do que ninguém.

Todos nós somos uma reunião de qualidades e defeitos. De potencialidade e limitações.

Enquanto comunidade, devemos ajudar uns aos outros em suas fraquezas, porque juntos somos mais forte.

Entretanto, diariamente nos deparamos com a arrogância daqueles que acreditam ilusoriamente terem um valor humano maior por seu gênero, seu status, etnia, etc.

Até mesmo em ambiente de trabalho, as pessoas confundem posição profissional com hierarquia pessoal. E se dão o direto, por serem chefes, de destratar e humilhar seus subalternos.

Por hora, um valor tão incrustado em nossa sociedade que nós mesmos, muitas vezes, lavamos os pés deles para que possamos ser valorizados e galgar aquela posição de ser o maioral que tem os pés lavados.

Inclusive, vemos isso em todos os lugares. Na fila, no trânsito. Nos relacionamentos amorosos e mesmo entre amigos de diferentes classes sociais.

É evidente que falta humildade, entretanto, não podemos aceitar.

Ser diferente não significa ser melhor ou pior. Toda vida importa.

Mas numa rede de interesses e desprezos, de ambições e falsidades, o mundo se perde do fluxo divino da existência.

Então, ninguém quer lavar o pé de ninguém e acaba que ficamos todos com os pés sujos.

Por isso, essa visão precisa mudar, para que caminhemos em direção à paz.

A dinâmica do mundo é, por vezes servir, e em outras ser servido. Assim deve caminhar a humanidade. Não há outra maneira de seguir em frente nem de progredir.

Quando alteramos esse padrão nos julgando acima dos outros, instauramos pontos desfuncionais da sociedade. E o pior de tudo: manchas na nossa alma porque ninguém é superior, de fato.

Além disso, quanto mais humilde, mais bençãos Deus concede à sua alma.

Afinal é preciso ser um grande homem para saber ser pequeno.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.