Esperar uma rasteira de um desafeto é razoável, agora ser traído por alguém que estimamos é uma facada que rasga o coração.

Acaba que, levantar desse tombo, é bem mais difícil justamente porque aquele que deveria nos defender dos golpes do inimigo, é quem nos fere de forma covarde.

Covarde porque a gente não espera, não está preparado e, principalmente, porque estamos com as defesas baixas pela confiança que o afeto nos causa.

Então, você confessa todas as suas fraquezas a um amigo, revela dores escondidas, planos e pecados. Vê nele um gostoso conforto, uma segurança rara.

Vai construindo, através dos anos e das confidências, uma relação que você acredita ser real, forte, da qual tem muito orgulho e, de repente, vem a traição e BUM! Explode a doce ilusão de uma cumplicidade que, na verdade, nunca existiu.

A primeira sensação é de que não pode ser real. Que é mentira, que algo está errado. Você pode até tentar se enganar, mas, então, entende que, enquanto levava a amizade a sério, a pessoa debochava da sua cara e expunha sua história e seus segredos como que um acontecimento corriqueiro de uma pública calçada.

É mais difícil ainda de acreditar quando a desonestidade vem de dentro da família.

Quando aqueles que deveriam zelar por você, são os que fazem as intrigas. Quando quem deveria resguardar a sua honra é justamente aquele que espalha ao vento suas falhas e até inventam mentiras sobre a sua vida e sobre quem você é.

A gente se sente sem chão. Como se o píer que sustenta nossos pés começasse a afundar sem que tenhamos para onde correr. Então, glub, glub.

Difícil também quando você se dedica a um amor. Cuida com carinho e dedicação, apoia nos momentos mais difíceis e até ajuda financeiramente.

Mas, quando a dificuldade passa, a pessoa lhe dá um pé no traseiro jogando na lata do lixo todo esforço que você fez para que dessem certos.

Então, só nos resta compreender o desperdício de um tempo importante com quem não merecia.

O coração se parte, o espírito de despedaça. E apesar de você ter dado tanto amor, a pessoa retribui o colocando em uma profunda depressão, porque, simplesmente, não faz a mínima ideia do que significa gratidão.

A verdade é dolorida, mas a vida é assim.

Sempre existirão os corruptos do afeto, os egoístas usurpadores de nossa energia, da nossa atenção ou dinheiro por um puro interessismo desmedido.

É um baque para a autoestima, um tiro de desrespeito na nossa dignidade. Chegamos a acreditar que o mundo está perdido, que a vida não vale a pena, uma vez que, se as pessoas que a gente confia nos traem, quem irá nos ser fiel?

Entretanto, quando quebrar a cara com quem você sempre livrou a cara, não tenha raiva nem guarde rancor. O negativo da hipocrisia, da falta de integridade está no outro e não em você.

Por isso, tenha compaixão, porque apenas pessoas sem autoestima, quebradas pelas dores da vida, atormentadas por sua insignificância e limitações é que são capazes de tamanha deslealdade e fingimento.

As vítimas são elas mesmas, porque a traição pertence a quem trai, não a quem se manteve íntegro ou foi incapaz de quebrar um pacto de afeto. 

Além disso, jogam fora todo zelo, dedicação e amizade sincera que você as dedicava. Perdem sua valorosa companhia porque não são dignas dela.

E cá, entre nós, apesar da dor da decepção, é muito melhor ser traído do que carregar o estigma de alguém fraco ou que não presta. 

Pois, um dia seu coração se cura e você seguirá digno da sua história, já eles permaneceram com a alma suja.

 

 

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