Fé é um sentimento particular. Ninguém carrega a crença do outro. Acreditar em Deus tem a ver com a história pessoal, com experiências que a razão não pode explicar e, principalmente, com o que se carrega na alma.

É uma crença natural que surge da mais profunda pureza do espírito e se manifesta como uma verdade inteira de otimismo. Fé da boca para fora não é fé, porque a força da espiritualidade não está na palavra, mas na alma.

Nada adianta pregar incontestavelmente, insistir em incutir crenças ou citar a versículos da bíblia, se a pessoa a sua frente tem uma visão cética da vida. Se a razão dela ainda está muito fechada para os mistérios da existência e criação do Universo.

Também não adianta tentar gerar culpa ao dizer que Jesus morreu por nós ou que Ele só aceita aqueles que o aceitam. Primeiro, a própria fé diz todos são filhos de Deus. Segundo, isso repele em vez de aproximar, pois sugere um convite para a Igreja através de uma energia negativa, um sentimento ruim, e quem não acredita, acaba analisando a religião como algo punitivo, severo, o que, certamente, não tem nada a ver com o amor que Deus tem por toda a humanidade.

Além do mais, quando a culpa traz uma pessoa por obrigação ou por medo, gera orações sem verdade e um monte de gente fingindo que é de Deus, enquanto vela o tanto de ódio que carrega dentro de si. São santos na Igreja, mas na vida real têm as atitudes de um verdadeiro demônio no egoísmo, no maltrado com os outros e até no desamor com a própria família. E dessa crença hipócrita que podem surgir os padres pedófilos que, se verdadeiramente acreditassem em Deus, jamais tocariam em uma criança, ou os pastores milionários, que se tivessem a alma tocada de fato, usariam todo seu dinheiro para a caridade.

Por isso, em vez de tentar amarrar a pessoa com compromissos, culpas e expectativas de milagres, é preciso abraçar aquele que chega a sua Igreja tão necessitado da luz divina. Muitas vezes, as pessoas nem têm o merecimento de se conectarem com sentimento divino tão rapidamente e precisam, antes, de muita energia celestial para alcançarem a permissão de entenderem que nossa inteligência é incapaz de compreender a complexidade do Criador e, exatamente, por isso, existe a fé.

Essas pessoas não podem ser forçadas a rituais e dogmas por que o efeito será o contrário, acabando por afastá-las da sua doutrina.

Então, em vez de tentar amarrá-las com argumentos baseados na fé que você tem, abrace-as.

Entenda que elas não acreditam naquilo que você acredita. Coloque-se no lugar dessa pessoa, ainda sem fé, e a receba em sua religião sem ansiedade e sem cobranças, sem ameaças, sem promessas de um pedaço no céu. Apenas com o coração e os braços abertos, cheios de amor, pois essa é a linguagem universal de Deus.

Assim, aos poucos, as pessoas vão se chegando e se acostumando até se sentirem parte naturalmente daquele ambiente. Sugira sem exigir e deixe que o interesse surja de dentro do outro, no tempo dele. Espere até que a vontade de se entregar a fé seja um pedido do coração das pessoas e não um desejo seu, mas porque ao frequentar a sua Igreja entenderam que a vida melhorou, que a depressão diminuiu, que estão cercadas por pessoas boas, as quais têm o bem em comum.

E se ela não quiser ficar, quem sabe, você é que precise entender que a missão dessa pessoa, talvez não seja na sua religião, mas através dela. Então, Deus espera que você seja instrumento na elevação do espírito dela e não de conversão a sua Igreja.

Afinal, encaminhar uma pessoa não significa convencê-la de nossas crenças e religiões, mas criar um ambiente divino, de paz e amor, emocionalmente confortável.

Para que ela mesma se permita encontrar com o Deus que habita sua própria alma.

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Luciano Cazz
Luciano Cazz é formado em Comunicação, também ator e roteirista pela NYFA (New York Film Academy). Além de estudante de Psicanálise. Autor do livro A Tempestade Depois do Arco-íris.